ArtRio 2026

Fui conferir a 16ª edição da Feira de Arte do Rio de Janeiro que aconteceu de 16 a 20 desse mês. Recebi ingresso pra sábado e fui lá conferir as novidades. Fiz alguns registros, conversei com galeristas, artistas, público, valeu ter ido e teria muito, muito a comentar mas deixo pra uma conversa de bar. Fiz muitas fotos e separei algumas que chamaram minha atenção.

Tráfico de aves – Artista Gaia

Essa foi a peça que mais me chamou minha atenção. Tive o privilégio de conhecer e conversar com o artista que me contou detalhes sobre seu trabalho e do processo para trazer essa peça do imaginário até a materialidade. Pensar uma peça que faz uma denúncia tão importante como o tráfico de aves me pareceu algo tão necessário que me fez pensar sobre como posso criar peças que, de alguma forma, façam as pessoas pensarem sobre questões profundas.

Esse conjunto de peças, fabricado em madeira madeira canela, contam com um sistema que permite rotacionar as aves e isso é muito legal, pois através da interação do público, a peça pode mudar de forma a qualquer momento e, desse modo, assumir formatos diferentes. Essa é uma peça que eu gostaria de ter na minha casa.

Jefferson Medeiros, sempre arrasador.

Jefferson é um artista do Rio que acompanho há tempos pelas redes sociais mas ainda não tinha tido a oportunidade de ver, ao vivo, seu trabalho. Eu já imaginava que seria algo arrebatador e tive certeza disso quando vi de perto. Que trabalho bonito, sensível e poderosamente simbólico. Queria ser amigo dele 🙂

DJ Papagaio e sua Xiloteca de Charutos,

DJ Papagaio faz umas coisas bem interesantes, já conhecia a famosa Xiloteca de Garrafas, alguns mobiliários, mas essa Xiloteca de Charutos eu vi de perto e achei incrível. Amo xilotecas e ainda farei uma a partir dos meus pensamentos difusos e avoados. Eu compraria uma Xiloteca dessas para presentear mas iria escrever no cartão de presente que é uma Xiloteca de Dildos! hahaha.

Esse coração inflável eu vi na Praça XV, centro da cidade, não anotei a autoria, mas vou descobrir.

Um coração gigante, vermemo, inflável, no meio da praça, no centro nervoso da cidade, eu poderia pensar e escrever tanta coisa, mas por hora, vou registrar aqui e admirar. Corações são tema de um trabalho que venho desenvolvendo há anos e que está se materializando aos poucos. Recebi a mensagem, agradeci e celebrei a beleza dessa instalação.

Não anotei autoria dessa peça, Mas eu gosto muito quando ítens do cotidiano tem suas funções subvertidas. São cabos de pá dando forma a uma linda mandala 3D.
Procurei a legenda dessa obra e não achei.

Como disse na abertura deste texto, tenho muitos comentários sobre a ArtRio que talvez funcionem melhor numa conversa de bar. Ainda assim, deixo registrada uma percepção que considero importante: a infraestrutura de acessibilidade para pessoas com deficiência me pareceu bastante limitada.

Isso começa pela própria identificação das obras. Quando havia plaquinhas, muitas apresentavam letras minúsculas, de difícil leitura, e não encontrei recursos em braile que permitissem às pessoas com deficiência visual acessar as informações sobre as peças com maior autonomia.

São aspectos que merecem atenção, sobretudo em um evento dedicado à arte, um campo que deveria ampliar possibilidades de acesso, experiência e participação.

No fim das contas, valeu ter ido, principalmente tendo sido convidado. A experiência rendeu observações, referências e, claro, alguns assuntos que continuam mais apropriados para aquela conversa de bar.


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